Fonte: 02/10/2011 O Estado de S. Paulo SP Jornal Cartões B14

RENATO CRUZ – O Estado de S.Paulo

Em uma tela transparente, é projetada a imagem de um executivo que pode estar na sala ao lado. Ou do outro lado do planeta. A imagem em alta definição e escala real dá sensação de tridimensionalidade, apesar de ser, na verdade, bidimensional.

Esse sistema de “holografia corporativa” é usado na sede da CSU, processadora de meios eletrônicos de pagamentos, em Barueri, São Paulo. Com a tecnologia Free Format, da empresa dinamarquesa Vizoo, o sistema foi fornecido para a CSU pela Uau Mídia. “O uso corporativo da tecnologia ainda é pouco difundido, mesmo fora do Brasil”, disse Marcelo Gebara Stephano, diretor geral da Uau Mídia. “A maioria dos clientes costuma usá-la em eventos.” A tecnologia “holográfica” usado no programa da Hebe, na RedeTV!, e no Fantástico, na Rede Globo, é a mesma que foi instalada na sala de reuniões da CSU. O projetor pode ser conectado a um sistema convencional de videoconferência, mas funciona melhor quando tem, do outro lado, uma sala especialmente preparada, com fundo negro, para que as pessoas tenham a impressão de que seu interlocutor, cuja imagem é projetada numa tela translúcida, está realmente presente na sala.

Na sala “holográfica” da CSU, eles costumam apresentar a clientes atuais e potenciais um vídeo em que Marcos Ribeiro Leite apresenta a companhia que fundou, com efeitos especiais em que gráficos flutuam em volta dele. “Já teve cliente que quis fazer perguntas a ele depois do vídeo”, disse Rodrigo Parise, superintendente de Tecnologia e Soluções da CSU. “Essa tecnologia é uma evolução da telepresença.” A CSU tem essa sala desde 2009, e investiu R$250 mil nela. Antes, ela estava instalada em outro prédio da empresa. A ideia é ampliá-la.

A Free Format é somente uma das tecnologias criadas para fazer com que pessoas que se encontram em lugares diferentes tenham a impressão de que participam de uma reunião em uma mesma sala. Uma solução que conquista cada vez mais espaço é a telepresença. A telepresença combina tecnologia da informação e cenografia: uma conexão de internet de alta capacidade liga duas salas que têm iluminação, paredes, carpetes e móveis iguais. As pessoas veem seus interlocutores em telas grandes de alta definição, em escala real.

O sistema Dolby 5.1 faz com que o som venha da direção correta, reforçando a impressão de que todo mundo está no mesmo lugar. “Nos últimos dois anos, a telepresença tem ganhado bastante força no Brasil, principalmente no setor financeiro”, afirmou Renier Souza, gerente de engenharia da Cisco. “Os clientes têm usado a tecnologia não só para evitar viagens, mas também o trânsito de São Paulo. Ela reduz os gastos com helicópteros e com segurança.” Os sistemas de telepresença têm ferramentas de colaboração, em que os participantes das reuniões podem compartilhar documentos eletrônicos e trabalhar neles coletivamente. “A vantagem não fica só na redução de custos.

Existem impactos mais difíceis de mensurar: quanto ganha uma empresa ao conseguir tomar decisões mais rapidamente?”, disse Souza. Explosão. O crescimento exponencial do vídeo na internet acontece tanto do lado do entretenimento quanto da comunicação. Segundo dados da Cisco, no ano passado, o vídeo foi responsável por 54% do tráfego da rede no País.

Em 2015, a fatia deve chegar a 76%.Thiago Siqueira, diretor de tecnologia e engenharia da Avaya Brasil, destacou a migração das redes de comunicação corporativa para o protocolo de internet (IP, na sigla em inglês), que trafegar vídeo, voz e dados na mesma infraestrutura.Um cliente da Avaya – que tem uma fábrica em Fortaleza, um escritório no Rio e a matriz em São Paulo – conseguiu reduzir seus gastos com viagem de 30% a 35% com um sistema de videoconferência. Outra adotou a tecnologia de colaboração via web, que combina comunicação de voz e apresentação de textos e gráficos, para treinar 3 mil representantes em todo o Brasil. “Em um ano, aumentaram em 13% a venda de produtos”, disse Siqueira.

Além da videoconferência e da colaboração via web, o diretor da Avaya citou a tecnologia de mundos virtuais, como era o Second Life, como uma ferramenta importante para permitir que pessoas em lugares diferentes possam trabalhar juntas.Robôs. Existe uma tendência que ainda não chegou no Brasil, mas que começa a nascer nos Estados Unidos, que é a de robôs de telepresença. Empresas como a Willow Garage e a Anybots criaram androides controlados a distância, que podem participar de reuniões no escritório sem que seu dono precise se deslocar até lá.

O Texai, da Willow Garage, foi visto num episódio do ano passado da série The Big Bang Theory, em que o físico Sheldon Cooper decide parar de sair de casa. A Anybots vende o seu QB por US$ 15 mil. “Fico meio surpreso de que ainda não existam muitos robôs em escritórios”, disse Trevor Blackwell, fundador da Anybots. O QB tem uma pequena tela no alto da cabeça, e câmeras para que seu dono consiga controlá-lo bem a distância.

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