O setor de meios eletrônicos de pagamento vive hoje um de seus melhores momentos na história do País. Números das principais entidades do segmento e pesquisas recentes do Banco Central do Brasil comprovam que os brasileiros elegeram os cartões como segunda forma mais utilizada para o pagamento de suas compras em supermercados, lojas de departamento, restaurantes, shoppings e demais redes. Ao se levar em conta a média nacional, o líder ainda é o dinheiro.
Somente em julho, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), foram realizadas 508 milhões de compras com os plásticos no País, totalizando R$ 31,7 bilhões. A marca só é menor que a observada em dezembro do ano passado, quando os brasileiros efetuaram 567 milhões de compras e gastaram R$ 37 bilhões. Mas existe aí um detalhe: dezembro concentra todas as compras das festas de final de ano.
Neste cenário, surge uma questão: se na metade de 2008 existe tão grande proximidade de resultados com a época em que mais se compra, as estimativas para o final deste ano só podem ser as melhores. O setor trabalha com uma expansão total, em 2008, de cerca de 21%, número em linha com o crescimento dos últimos anos, entre 18% e 20%.
O saldo positivo na fatura é um dos reflexos do bom momento da economia brasileira com o aumento do número de emprego e renda do trabalhador. Esses fatores combinados com a facilidade na hora de se conceder limites contribuem para a massificação do crédito, ainda mais ao se levar em conta que, segundo o Bacen, existe uma média de 0,6 cartão de crédito e um de débito para cada brasileiro.
Em tempos em que o crédito atrelado ao PIB aproxima-se da casa dos 40%, a solução encontrada para escoar todo esse dinheiro foi aproveitar a alta adesão dos plásticos. São milhares de cartões substituindo gradativamente, todos os dias, o dinheiro e os cheques, principalmente nas compras parceladas.
Os "chequinhos" para 30, 60, 90 e 120 dias, por exemplo, perdem cada vez mais espaço para as negociações com os cartões. A queda de market share do papel moeda e do cheque foi comprovada pela última pesquisa do Bacen. O declínio foi de 35% no total movimentado nos últimos cinco anos, igual período em que as negociações com cartões dispararam 212%, o que comprova a evolução dos meios de pagamentos eletrônicos, já que o cheque é apenas um instrumento de compra a vista e não uma forma de se conceder crédito.
Mas por que os plásticos se dão tão bem, ainda mais ao se levar em conta a penetração nas camadas econômicas mais baixas? Porque com ele o consumidor tem um limite adequado à sua necessidade, pode parcelar compras sem os juros que costumeiramente eram incorporados aos cheques pré-datados, não precisa carregar muito dinheiro nem um talão inteiro de folhas de cheque na carteira, além da segurança, entre outras vantagens.
Para o lojista, o cartão também é essencial, pois evita que ele fique com um capital parado sob sua custódia durante meses, reduzindo o índice de perda de crédito; e dá a garantia de que, naquele período, o montante referente àquela compra será adicionado ao fluxo de caixa. Outro detalhe: os segmentos do comércio que não oferecem aos consumidores o cartão como forma de pagamento acabam crescendo menos que os outros.
E por ser um negócio muito rentável, cada vez mais redes varejistas de grande, médio e pequeno portes passam oferecer a seus clientes formas de pagamento como private labels e, mais recentemente, híbridos. Os cartões híbridos, nova tendência no segmento de cartões , são uma junção do private label simples com o plástico de crédito, embandeirado. Com ele é possível aproveitar promoções das bandeiras, descontos e parcelamentos diferenciados do comerciante, além de consumir de acordo com a política de aceitação das bandeiras Visa e Mastercard.
O cartão híbrido chegou para revolucionar o mercado de uma forma positiva, pois o varejista terá um índice de efetivação e fidelização bem mais alto que o existente hoje com os private labels e o cliente pode concentrar seus gastos, gerenciando despesas, em uma única fatura. Além disso, ele não precisará necessariamente ter conta corrente. Todo mundo pode ir a um supermercado ou qualquer outra rede de varejo e fazer um cartão de acordo com seu perfil.
Vantagens para o lojista, para o emissor e para o consumidor. Definitivamente, é a hora e a vez do dinheiro de plástico.